EUA usaram soldados como cobaias em testes com armas químicas

Crimes de Guerra

SOBREVIVENTES ENTRAM NA JUSTIÇA

Do blog ECOnsciência

Certos horrores que as produções de Hollywood revelam nem sempre são tão fantasiosos assim. Muitas vezes eles saltam das telas e invadem de forma macabra a vida real.

Como tantos filmes denunciam, confirma-se aquilo que todos suspeitavam: que na década de 60 cientistas do exército dos EUA testaram os efeitos de armas químicas sobre o corpo e a mente humana, só que em milhares de seus próprios soldados.

Os experimentos faziam parte de um projeto secreto desenvolvido durante a Guerra Fria, no qual cobaias norte-americanas eram usadas em testes contra eventuais inimigos externos.

De acordo com o The New Yorker, os militares utilizavam nuvens de substâncias psicoativas — capazes de incapacitar a mente temporariamente — em vez de matar pessoas com o uso de armas e bombas convencionais.

Cobaias Humanas

As drogas usadas pela equipe liderada pelo psiquiatra Coronel James S. Ketchum nos experimentos variavam; iam do LSD ao gás lacrimogênio, passando pelo VX — um gás de ação nervosa muito poderoso e letal.

Além do temível XV, que em tempos mais recentes chegou a ser procurado por Saddam Hussein, testavam outras substâncias secretas capazes de provocar delírios.

O problema é que os soldados expostos a essas drogas — todos voluntários — nunca foram informados sobre o que se tratava, nem se existiriam quaisquer efeitos de curto e longo prazo sobre suas mentes.

E pior: esses homens nunca receberam nenhum tipo de acompanhamento ou tratamento psicológico após a finalização dos experimentos.

Mísseis com gases

Algumas das substâncias testadas provocavam o envenenamento dos voluntários, enquanto outras os deixavam grogues ou extremamente ansiosos.

Outros efeitos comuns eram a falta de sono, ocorrência de pesadelos e depressão, assim como apatia, falta de interesse, fatiga, histeria, pânico, delírios, alucinações, comportamento suicida e total inércia.

E parece que muitos dos soldados que participaram — mais de 5 mil jovens saudáveis — sofreram sequelas. Tanto que alguns tentaram contatar Ketchum para saber o que havia acontecido com eles durante os testes, para que assim, quem sabe, pudessem aliviar seus pesadelos e problemas psicológicos.

Cobaias humanas em guerra química

Agora, alguns dos que ainda permanecem vivos iniciam uma batalha judicial contra o governo federal dos EUA, onde descrevem os experimentos como sendo diabólicos.

Hoje, o Coronel Ketchum tem 81 anos de idade, vive em uma modesta casa na Califórnia, e acredita — sinceramente — que os experimentos que ele liderou no passado foram “necessários” e, apesar dos danos colaterais, “não tinham nada de errado”.

Quando, em breve, estiver queimando no quinto dos infernos pode ser que mude de opinião. E tomara que Hollywood se encarregue de mostrar a sua fritura nas telonas.

Com Maria Luciana Rincon Y Tamanini no TecMundo

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