Esquenta o debate sobre ‘apartheid’ no carnaval de Salvador

FOLIA NEOLIBERAL

A Cachaça da Happy Hour

O modelo neoliberal que se propõe a privatizar todo o carnaval na Bahia, criando um apartheid que exclui o próprio espaço público, ruas, praças e praias do povo toma conta das discussões na internet. A ponta mais visível do processo é o circuito Barra/Ondina, tomado pelos camarotes e trios elétricos com cordões de isolamento.

Por conta dos custos altíssimos envolvidos, o evento de Salvador se tornou uma festa de não-baianos, onde parcela expressiva dos moradores da capital baiana – 78% – preferem mesmo é escapar da folia. Por isso, dizem, o povo da Bahia, sempre muito criativo, deu de inventar o carnaval negresco: preto por fora e branco no recheio.

Trios Elétricos - Abadás

Um ícone da cultura baiana, Luiz Caldas, incendiou as discussões com sua música Apartheid da Alegria em protesto contra a elite que tomou conta das ruas, onde os que não querem ou não podem comprar o ingresso (abadá de bloco ou camarote) não entra.

Um belo debate de internautas também saiu no blog do Luis Nassif, num post intitulado A resistência à mercantilização do Carnaval — de onde veio a dica para postar este antigo samba interpretado por João Bosco e que cabe à perfeição com o que anda acontecendo no atual carnaval de Salvador:

PLATAFORMA

(João Bosco & Aldir Blanc)

Não põe corda no meu bloco
Nem vem com teu carro-chefe
Não dá ordem ao pessoal
Não traz lema nem divisa
Que a gente não precisa
Que organizem nosso carnaval
Não sou candidato a nada
Meu negócio é madrugada
Mas meu coração não se conforma
O meu peito é do contra
E por isso mete bronca
Neste samba plataforma

(BIS)

Por um bloco
Que derrube esse coreto
Por passistas à vontade
Que não dancem o minueto
Por um bloco
Sem bandeira ou fingimento
Que balance e abagunce
O desfile e o julgamento
Por um bloco que aumente
O movimento
Que sacuda e arrebente
O cordão de isolamento

Não põe no meu!


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