Epidemia de inveja corrói a alma dos membros do Facebook

Sentimentos de inveja no Facebook

UMA REDE DE SENTIMENTOS INFERIORES?

A Cachaça da Happy Hour

Se a inveja, acompanhada do inseparável olho gordo, é um sentimento corrosivo tão entranhado nas relações humanas, é possível que seja potencializada a níveis insuportáveis entre as almas menos iluminadas que frequentam as redes sociais.

É sério! Imagine, então, o quanto pode provocar de inveja — e causar sentimentos de infelicidade e solidão — testemunhar as férias, a vida amorosa e o sucesso profissional que os “amigos” propagandeiam, sem dó nem piedade, no Facebook.

Pois um estudo realizado em conjunto por duas universidades alemãs encontrou uma inveja desenfreada no Facebook, a maior rede social do mundo, que já tem mais de 1 bilhão de usuários e produziu uma plataforma inédita para comparações sociais.

Solidão no Facebook

Os pesquisadores descobriram que uma em cada três pessoas sentiu-se pior e mais insatisfeita com a própria vida depois de visitar o site, enquanto pessoas que zapearam por lá só para xeretar, sem contribuir, foram as mais afetadas.

“Ficamos surpresos ao ver quantas pessoas têm uma experiência negativa no Facebook, com a inveja fazendo-as se sentirem sozinhas, frustradas ou com raiva”, disse Hanna Krasnova, do Instituto de Sistemas da Informação na Universidade Humboldt de Berlim.

“A partir dessas observações, algumas pessoas poderão então sair do Facebook ou pelo menos reduzir o uso que fazem da rede”, acrescentou Krasnova, aumentando a especulação de que o negócio de Mark Zuckerberg chegaria a um ponto de saturação em alguns mercados.

Eu odeio o Facebook

As equipes da Universidade Humboldt e da Universidade Técnica de Darmastadt também descobriram que fotografias de férias eram a maior causa de ressentimento, com mais da metade dos incidentes de inveja provocados por imagens de viagens no Facebook.

A interação social foi a segunda causa mais comum de olho gordo, com os usuários podendo comparar quantas felicitações de aniversário receberam em relação a amigos no Facebook e quantos “curtir” ou comentários foram feitos em fotos ou posts.

“O acompanhamento passivo provoca emoções amargas, com os usuários invejando principalmente a felicidade dos outros, o modo como os outros passam as férias e como socializam”, destaca o estudo Inveja no Facebook: Uma Ameaça Oculta à Satisfação da Vida dos Usuários?.

Ciumes no Facebook

“A presença disseminada e onipresente da inveja em sites de redes sociais é mostrada para minar a satisfação de vida dos usuários”, afirmaram os pesquisadores.

Eles descobriram que pessoas com trinta e poucos anos eram as mais propensas a invejar a felicidade familiar, enquanto as mulheres estavam mais contaminadas para invejar a atratividade física.

A epidemia de sentimentos subalternos fez vários usuários lançarem mão de expedientes manjados, como a mentira, se gabando mais sobre suas conquistas no Facebook para aparecerem publicamente sob uma luz mais favorável.

E assim, os homens postavam mais conteúdo autopromocional na rede social para fazer com que as pessoas soubessem sobre suas realizações, enquanto as mulheres destacavam sua boa aparência e vida social.

Inveja dos amigos

Os pesquisadores basearam suas descobertas em dois estudos envolvendo 600 pessoas, e os resultados deverão ser apresentados em uma conferência sobre sistemas de informação na Alemanha, agora em fevereiro.

O primeiro estudo analisou a escala, o âmbito e a natureza dos incidentes de inveja provocados pelo Facebook, e o segundo em como este sentimento estava relacionado ao uso passivo da rede social e à satisfação com a vida.

Os entrevistados em ambos os estudos eram todos alemães, mas imagina-se que os resultados sejam os mesmos internacionalmente, já que a inveja é um desvio de caráter universal e possivelmente impacta o uso do Facebook de forma generalizada.

“Do ponto de vista de um provedor, essas descobertas sinalizam que os usuários frequentemente veem o Facebook como um ambiente estressante, que pode, no longo prazo, colocar em perigo a própria sustentabilidade da plataforma”, concluíram os pesquisadores.

Com Estadão

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