Enterro e cremação são coisa do passado: defunto agora vira água


Cadáveres liquefeitos

FUNERAL SUSTENTÁVEL

A expressão latina “memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris”, que, segundo a tradição bíblica, significa algo como “do pó vieste e ao pó retornarás” (Gênesis, 3 :19), nunca esteve tão distante das nossas conveniências contemporâneas. Mas a notícia não tem nada de sinistra, pelo contrário.

Quando morríamos apenas duas alternativas pouco ecológicas estavam à nossa escolha: ter os corpos enterrados para contaminar o terreno à nossa volta ou virar fumaça num forno crematório para que as cinzas fossem espalhadas no ar que outros respiram. Agora surgiu nova alternativa: nós podemos ser transformados em líquido para, se isto conforta alguém, regar uma plantinha.

Do blog ECOnsciência

O fato concreto é que um aparelho que transforma cadáveres em líquido começará a ser operado comercialmente nas próximas semanas na Flórida, Estados Unidos. Criado pela companhia Resomation Ltd, com sede na cidade escocesa de Glasgow, o aparelho está sendo comercializado como uma alternativa ecológica para a cremação.

A máquina, batizada de Resomator, foi instalada na funerária Anderson-McQueen, na cidade de St. Petersburg, na Flórida. Segundo a funerária, o aparelho deve começar a ser usado nas próximas semanas.

Até agora, sete estados norte-americanos aprovaram o uso o método. Há expectativas de que outras unidades entrem em funcionamento em breve em outras cidades nos EUA e também no Canadá e Europa.

CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA

O método — que, em linhas gerais, dissolve o cadáver em água quente alcalinizada — produz menos gases associados ao efeito estufa do que a cremação, usa um sétimo da energia e permite a retirada de metais poluentes (como aqueles contidos nas obturações dentárias), evitando que eles venham a contaminar o meio ambiente.

Obturações dentárias queimadas em crematórios seriam responsáveis, na Grã-Bretanha, por 16% das emissões de mercúrio do país. Por conta disso, as empresas do setor estão instalando sistemas de filtragem para tentar alcançar metas de emissão.

“(O método) Resomation foi desenvolvido em resposta à crescente preocupação do público com o meio ambiente”, disse o fundador da empresa, Sandy Sullivan. “Ele oferece aquela terceira opção, que permite às pessoas expressar suas preocupações de forma positiva e, eu acho, pessoal”.

O método envolve a imersão do corpo em uma solução de água e hidróxido de potássio. A solução é pressurizada e aquecida a 180ºC durante no máximo três horas.

Todos os tecidos do cadáver são então dissolvidos. Sullivan, formado em bioquímica, disse que testes provaram que o líquido resultante é estéril e não contém DNA. Segundo ele, não há riscos para o meio ambiente.

Após a retirada do líquido, os ossos são colocados em uma outra máquina — usada em crematórios convencionais para esmagar fragmentos de osso e transformá-los em cinzas após a cremação.

Nessa fase do processo, mercúrio e outros metais são recuperados.

PROMESSION

Outro método que também se propõe a oferecer uma alternativa ecológica para a disposição de cadáveres é o chamado Promession, criado pela bióloga sueca Susanne Wiigh-Masak.

Nele, o corpo é congelado a -18ºC, depois imerso em nitrogênio líquido a -196ºC e chacoalhado até que se despedace.

Quaisquer metais presentes no cadáver, como obturações dentárias ou próteses, são extraídos e reciclados. Restos orgânicos são jogados na terra, dando continuidade ao ciclo da vida.

O método Promession já está disponível na Grã-Bretanha.

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