Elitismo, frivolidade e complexo de viralata na moda praia


Saída de praia - moda verãoCOISAS DE SÃO PAULO ou BIQUINI DE PAULISTA

A Cachaça da Happy Hour (em 12/12/2010)

Reproduzo o texto abaixo na íntegra porque ele é antológico, convenhamos. Aqui do interior de Minas Gerais jamais imaginei que ainda pudesse existir tanta frivolidade e elitismo fuleiro, a mais completa tradução do hedonismo narcisista que viceja entre uma certa e bem identificada peruagem nativa.

Saiu na coluna da Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. Haveria ambiente mais fútil e adequado?

Modelos, socialites e descoladas lideram o lançamento de grife de biquíni de “luxo”, em que, em alguns casos, até etiquetas são de seda.

Durante o Réveillon do ano passado, “enquanto estava olhando o mar verde” das Maldivas, na Ásia, a designer Adriana Bittencourt, 39, teve a ideia de criar uma linha de biquínis de luxo. “O conceito e a cartela de cores surgiram lá, assim como o nome: Beach Bum, que é rata de praia, em inglês. Eu e minha sócia, Bruna Magagna, somos ratas de praia do Mediterrâneo, vivemos em Saint-Tropez [França]. Somos perseguidoras do sol”, diz à repórter Lígia Mesquita, por telefone, de Marrakech, onde mora.

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O conceito da grife, Bittencourt define como sendo “biquíni para uma mulher chique na praia”. Em setembro, ela inaugurou sua loja no shopping Iguatemi. No mesmo local, nos últimos dois meses, outras duas marcas com a proposta de moda praia de luxo abriram suas portas: Triya e Adriana Degreas, que se juntam à Jo de Mer, de Amália Spinardi. A algumas quadras do shopping, no Itaim Bibi, fica o showroom da A. Niemeyer, de Fernanda Niemeyer e Renata Alhadeff, e a loja Alór, da ex-modelo Mariana Weickert e de Francine Taulois.

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Biquinis - moda praia verãoEm comum, essas mulheres têm um passaporte carimbado em viagens pelo mundo, olho educado para o que é considerado sofisticado (e caro) e retaguarda financeira para investir em novas marcas.

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“A nossa moda praia não é a do Iate Clube de Santos. É a de uma “globe-trotter”, de uma mulher sofisticada, europeia, que tem “savoir faire” [conhecimento, em francês], “joie de vivre” [alegria de viver] e frequenta os melhores resorts, spas e praias do mundo. E que sabe que tem que estar elegante da hora que acorda à hora que dorme”, diz Bittencourt. “Os biquínis da grife [a partir de R$ 290] são luxuosos em si, por isso não dá pra usá-los com shorts e canga. Eles pedem um caftã [túnica].” Os caftãs de Bittencourt não saem por menos de R$ 2.500. “Em Saint-Tropez, os “globe-trotters” de A a Z usam nossa marca. No Brasil, todas as chiques já compraram.”

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O culto ao corpo, segundo a estilista Adriana Degreas, favorece a moda praia. “Não adianta passar o dia num centro de estética, ficar linda e ter o biquíni feio.” Ela, que afirma ter entre seus clientes, “as famílias Diniz, Jereissati, Scarpa, a nata [da sociedade]”, faz roupa de praia “para uma mulher que pouco toma sol”. “É uma moda que gira mais em torno da piscina, de um hotel de luxo, do cruzeiro. É mais um “lifestyle” [estilo de vida].”

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Suas peças, afirma Degreas, têm tamanhos maiores e “cores sóbrias”. Para usar por cima do biquíni ou para passear, caftãs de seda. “A maioria das minhas clientes são mulheres acima de 30, que viajam para Trancoso [Bahia], Mykonos [Grécia], Miami [EUA], Saint-Tropez e Portofino [Itália].” Um biquíni de tricô sai por R$ 431, um maiô com renda, R$ 570, e um outro, feito para um desfile da SPFW, custa R$ 2.960.

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Biquini tipo tomara que caiaÉ pensando também em quem viaja que as estilistas Fernanda Niemeyer, 32, e Renata Alhadeff, 32, criam as peças da A. Niemeyer, que vendem na Daslu e na SUB, entre outras lojas. A moda praia da marca foi batizada de “holidaywear” [moda de feriado]. “É um conceito que remete a férias. Não é só o biquíni. É vestido, shorts, saias, caftãs”, diz Fernanda. “A mulher tem que estar pronta pra sair da praia, da piscina, do barco e ir passear depois, almoçar”, fala Renata. A modelagem da marca, segundo ela, é maior, mais confortável, “para valorizar o corpo e não deixar saltar a banhinha”. Entre as criações, um maiô drapeado que vira biquíni de cintura alta. Preço: R$ 232.

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O biquíni maior também é o foco da Triya, de Isabela Frugiuele, 28, Carla Franco, 30, e Isabel Fioravanti, 30. “Sempre fomos muito à praia no litoral norte e achávamos que faltava um biquíni do nosso jeito”, diz Isabela. “Há uma tendência de moda praia mais perua, mas não é o nosso caso. Nossos modelos são mais comportados, com cintura maior. Têm cara mais de paulista.”

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A estudante de arquitetura Camila Castanho, 20, bolsa Miu Miu a tiracolo e sapatilhas Chanel, concorda com a estilista da Triya. “Gosto das calcinhas maiores, é mais chique. Não é aquela coisa pequenininha de funkeira”, diz, enquanto olha um maiô com estampa de tigre (R$ 350) na loja. “Biquíni pequeno é horrível, vulgar. Não precisa ser uma coisa enorme, mas tem que ter noção”, emenda a empresária Paula Chebel, 47, com um tomara que caia na mão.

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Biquíni estilo cortininha (com lacinho na calcinha e sutiã menor), por exemplo, era impensável há alguns anos em muitas dessas marcas de moda praia de luxo. Amália Spinardi, 42, e sua Jo de Mer, uma das marcas pioneiras nessa nova leva do mercado de “beachwear”, aderiram ao duas-peças um pouco menor. Os modelos batizados como Julia (R$ 255), Capri e Hamptons “têm mais pano na horizontal e na vertical”, diz ela, que tem como fãs do seu trabalho, as tops Gisele Bündchen e Naomi Campbell.

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Bikini - moda praia verão“A mulher Jo de Mer quer ser sensual, não sexy”, afirma Amália. “Meu público é “cool”, transado, se cuida, faz ioga.” Para ela, uma confusão é achar que um biquíni chique tem que ter adorno. “Muito adorno, penduricalho, é cafona. Luxo é conforto, são os detalhes. A etiqueta das minhas peças, por exemplo, são de seda para não irritar a pele.”

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Um biquíni “que mostra sem ser apelativo”, sensual, é o que propõe a Alór, de Francine Taulois e Mariana Weickert. “Nossas peças não são indecentes nem de tias”, diz Francine. As duas, catarinenses, decidiram investir na moda praia há dois anos. Hoje, a loja no Itaim Bibi exibe nas paredes e em álbuns, fotos de celebridades com modelos da grife, como Carolina Dieckmann.

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“Nossas peças têm ótimo acabamento, não têm elástico, não apertam. Mas nosso diferencial são nossas saídas de praia: são despretensiosas sem deixar de ser chique”, afirma Francine. O vestido Mojito, de algodão com seda, custa R$ 349.

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A dona de casa Celiza, de Piracicaba (SP), bolsa Prada e camisa polo Burberry, gosta de usar vestidos na praia. Em uma tarde na loja de Adriana Degreas, no Iguatemi, ela pede para experimentar um de tecido plush. Pergunta o preço à vendedora. “R$ 600”, ouve. “Ah, mas é muito caro para ser uma saída. É judiação usar”, diz.

Visto no Conteúdo Livre

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Blog da Nívia de Oliveira Castro

Um comentário em “Elitismo, frivolidade e complexo de viralata na moda praia

  • 13 de dezembro de 2010 em 10:14
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    Nívia, vou te contar… estou pasma! Nem em cabeleireiro eu nunca ouvi as peruas tricotando tanta futilidade como essa “colunista” escreveu. E olha que eu frequento salões até que bem metidinhos a besta. Fiquei passada! Além do mais, mesmo com toda pinta de “matéria paga”, esse texto é um lixo. Não estou te criticando. Pelo contrário, foi bom você ter mostrado o que se passa nas caraminholas das madames dos Jardins. Serve de alerta. rs…

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