Discriminação racial aumentou nos EUA com a crise econômica

Filha de Matin Luther King Jr.

ESTOURO DA BOLHA RACIAL

O Chefe de Redação

Poucos foram os veículos da velha mídia que deram destaque à presença da filha do ativista político norte-americano Martin Luther King Jr. nas celebrações do Dia da Consciência Negra, durante a semana passada.

Bernice Albertine King, em encontro com alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, revelou que a crise econômica e o colapso da bolha imobiliária contribuíram para aumentar o racismo nos EUA.

Segundo Bernice, a crise atingiu principalmente as comunidades mais pobres de seu país e as famílias negras que se viram impossibilitadas de arcar com as hipotecas, que, mesmo após terem passado por um período de prosperidade, voltaram a ser discriminadas.

“Por essa razão dou um conselho a vocês: quando a oportunidade vier para aumentar o poderio econômico, mantenham um alto padrão de disciplina, porque sempre haverá forças que tentarão minar o progresso de vocês, mantenham-se vigilantes, sábios e disciplinados”.

Casamento entre Negros e Brancos

A filha caçula do pacifista negro norte-americano, é advogada, pastora e palestrante.

Bernice também criticou o sistema de educação pública dos Estados Unidos, que continua, em sua opinião, muito segregacionista. Sua preocupação especial é com a educação destinada aos jovens negros do sexo masculino, que constituem a maior parcela da população carcerária dos EUA.

Bernice viaja pelo mundo incentivando a juventude a se inspirar no legado de seu pai, lembrando que ele começou a militar pelos direitos da comunidade negra quando tinha apenas 26 anos.

“O sonho de meu pai ainda não foi alcançado. Mas é óbvio que estamos no caminho certo. Sonhos se tornam realidade, mas desafio todos também a fazer como o pacifista Mahatma Gandhi [cujo ativismo teve grande influência em Martin Luther King], para que os jovens se tornem parte das mudanças pelas quais lutam”.

Ao fim do encontro, Bernice convidou todos os presentes a viajarem para Atlanta em 2013, para as comemorações dos 50 anos do famoso discurso de seu pai, “I Have a Dream” (Eu tenho um Sonho), realizado em Washington.

Charge sobre racismo e discriminação

Segundo Bernice, depois de 50 anos do discurso de seu pai, muitas coisas mudaram. “Hoje temos o primeiro presidente negro nos EUA, mas não podemos estar satisfeitos com tantos afro-americanos e afro-brasileiros na pobreza e enquanto oportunidades de educação e trabalho não forem iguais para negros e brancos”.

Bernice destacou que a união é a fonte da força dos movimentos e lembrou a história da norte-americana Rosa Parks que, em 1955, se recusou a ceder seu assento de ônibus para um passageiro branco na cidade de Montgomery, Alabama.

“Ela não apenas estava cansada fisicamente, como também das condições de vida a que era submetida. As mulheres daquela comunidade já estavam pensando em boicotar as empresas de ônibus pelo tratamento que os negros estavam recebendo. O boicote seria de um dia (em 1º de dezembro de 1955), mas pela manhã, eles perceberam que 99% dos negros da cidade, incluindo homens e crianças, não entravam mais nos ônibus. Por isso, perceberam que era necessário continuar. Ao fim, 381 dias depois, a Suprema Corte determinou que a segregação nos ônibus era inconstitucional. Foi a unidade que tomou lugar em Montgomery criou a força que hoje nós chamamos de “movimento”. A greve nos ônibus de Montgomery teve Martin Luther King como um de seus grandes incentivadores e deu início ao movimento pela igualdade dos direitos civis nos Estados Unidos”.

Martin Luther King Jr Family

Martin Luther King tornou-se ícone do movimento pela igualdade racial no século XX, quando liderou o movimento dos direitos civis dos negros nos EUA através de vias pacíficas.

Em 1955, organizou o boicote aos ônibus da cidade de Montgomery, no Estado do Alabama, e chegou ao ápice em 1963, ao fim de gigantesca marcha na capital, Washington.

Em frente a um público de 200 mil pessoas, no Lincoln Memorial, proclamou o famoso discurso “I Have a Dream” (Eu tenho um Sonho), em que disse sonhar pela coexistência pacífica entre todas as raças nos EUA no futuro.

Na época, o evento foi considerado fundamental para a assinatura do Ato de Direitos Civis, em 1964, entre outros avanços na legislação de direitos civis nos EUA.

King foi assassinado em 1968 em um hotel de Memphis, Tennessee, horas antes de participar de uma marcha na cidade.

Com Opera Mundi

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