Consumo em alta leva shopping centers para cidades do interior

O BRILHO DO NOVO ELDORADO BRASILEIRO

Centros comerciais em cidades médias

Nenhum shopping center novo foi inaugurado nos EUA desde 2006, ano precedente ao terremoto da crise neoliberal que resultou no tsunami que derrubou as principais economias do mundo.

Se os centros comerciais de Miami até agora foram praticamente os únicos que resistiram ao naufrágio, isto se deve aos sacoleiros brasileiros, que trocaram as compras no Paraguai pela Flórida.

Esta é a realidade norte-americana. No Brasil, ao contrário, onde a maré da crise chegou baixa como uma marolinha, a indústria dos “templos de consumo” prossegue batendo recordes de construção.

Um balanço da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), mostra que no ano passado nada menos que 38 grandes conjuntos comerciais foram inaugurados no país, mais de três por mês.

Já o outro recorde, e talvez mais significativo, é que 23 deles – ou seja, quase dois terços – ficaram estabelecidos fora das capitais estaduais, em cidades de médio porte.

A maior parte desses malls foi construída em municípios que possuem até 500 mil habitantes, e o tamanho desses empreendimentos é de 26.142 mil metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável).

Desses novos shoppings, por exemplo, dois vão abrir em Roraima, pela primeira vez. O estado, que comparte fronteira com Venezuela e Guiana, não tinha grande centro comercial antes. Ambos estarão na capital, Boa Vista (onde se viu uma capital sem shopping center?).

O posicionamento dos projetos na região amazônica, “é baseado no tripé da sustentabilidade”, ou seja, “economicamente viáveis, ecologicamente corretos e socialmente justos”.

BOTANDO GENTE PELO LADRÃO

Em matéria de faturamento no setor, é interessante notar a distribuição geográfica: a liderança continua com o Sudeste (75,908 bilhões de reais), seguido pelo Sul (18,927 bilhões de reais).

A terceira posição, crescente, é ocupada pelo Nordeste (19,884 bilhões de reais), e a quarta, pelo Centro-Oeste (10,356 bilhões de reais).

A última região em termos de faturamento é o Norte, com 5,147 bilhões. Mas isso foi sem os dois shoppings que serão inaugurados em Boa Vista.

Quanto aos consumidores, os dados oficiais apontam para 415 milhões de visitas por mês no ano passado, o que representa um crescimento de 4,2% em relação a 2012.

Mas não apenas compras, como também gastos em locais de diversão e entretenimento, como cinemas, com 2.386 salas no total espalhadas pelo país.

E isso gera a ocupação de muita mão-de-obra. A Associação indica que havia 843.254 empregos diretos nos centros comerciais brasileiros, com aumento de 4,8% em relação a 2012.

De acordo com a Abrasce, é consequência do “aumento do poder aquisitivo da população”, em especial das famílias do interior que já dispõem de 20% a mais de renda do que nas grandes cidades.

INTERIORANO NÃO É BOBO

Confirma-se, assim, que não colou o pessimismo econômico disseminado pela mídia conservadora. Tanto que de cada R$ 10 gastos no Brasil, R$ 4 correspondem ao consumo efetuado no interior do país.

Agora considere dados do IBGE mostrando que 94,3 milhões de brasileiros são habitantes de cidades fora das capitais e regiões metropolitanas.

Levantamento inédito do Sebrae, realizado em parceria com o Instituto Data Popular, mostra que este consumidor gasta hoje R$ 827 bilhões ao ano, o equivalente a 38% do total do consumo no país.

Isto significa que a movimentação de dinheiro no interior já é maior do que o PIB de muitos países, como Chile, Dinamarca ou Portugal, por exemplo. E ainda há um baita potencial de crescimento.

Por exemplo: projeções da empresa norte-americana The Boston Consulting Group indicam que tais valores subirão a R$ 1 trilhão 400 bilhões anuais até 2020 – seja, em apenas seis anos.

Esse cenário confirma a existência de um ambiente promissor para os pequenos negócios, na medida em que quase a metade da população brasileira vive no interior e que essas regiões vêm apresentando um robusto desenvolvimento econômico – nunca mostrado pela velha mídia.

Assim, poderão ser especialmente beneficiadas as micro e pequenas empresas estabelecidas nessas localidades e que conhecem melhor os mercados e as demandas da sua população.

O QUE CONSOMEM OS MORADORES DO INTERIOR

R$ 265 bilhões com reforma do domicílio
R$ 118,4 bilhões com alimentação no domicílio
R$ 61 bilhões com medicamentos
R$ 53 bilhões com material de construção
R$ 52,4 bilhões com alimentação em restaurantes, bares e lanchonetes
R$ 51 bilhões com veículo próprio
R$ 36 bilhões com vestuário e confecção
R$ 23 bilhões com eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos
R$ 22 bilhões com higiene e beleza
R$ 19 bilhões com educação
R$ 19 bilhões com móveis
R$ 18,5 bilhões com viagens
R$ 17 bilhões com recreação e cultura
R$ 14 bilhões com calçados
R$ 12 bilhões com bebidas
R$ 6,6 bilhões com produtos de limpeza
R$ 5 bilhões com livros e material escolar

COMO ELES PRETENDEM INVESTIR EM 2014

23,2 milhões querem comprar móveis para a casa
17,4 milhões pretendem adquirir uma TV
13,2 milhões desejam comprar geladeira
12,1 milhões planejam adquirir máquina de lavar
11,8 milhões querem fazer uma viagem nacional de avião
9,1 milhões desejam um notebook ou netbook
8,8 milhões pretendem comprar moto
6,9 milhões querem comprar um carro
5,1 planejam ter um tablet
4,8 milhões planejam adquirir casa ou apartamento
4,1 milhões desejam fazer uma viagem internacional de avião
3,2 milhões querem comprar smartphone

Com informações da Voz da Rússia

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