Consumo e poluição de carros manipulados por montadoras

NÃO SORRIA: VOCÊ ESTÁ SENDO ENGANADO

Veículo poluindo o ambiente

H. G. Wells costumava dizer, baseado em sua reconhecida capacidade de observação, que a propaganda é a arte da mentira legalizada. O célebre escritor inglês se referia não apenas à área do marketing político, mas particularmente ao que ocorre nas relações comerciais.

Por isto, seja mais cético quanto às maravilhas anunciadas por agências publicitárias, que não passam de empresas legalmente constituídas e muito bem remuneradas exatamente para sustentar ou mascarar as mentiras de seus clientes — quando não mentem mais do que eles próprios.

Se você decidiu gastar um tanto a mais para contribuir com o planeta adquirindo um determinado modelo de automóvel na vã ilusão de que ele polui um pouco menos o ambiente, é bom compartilhar aquilo que todo mundo percebe e não dá um único pio a respeito:

. Pneus lisos (slick) cheios muito além da calibragem normal para reduzir a resistência ao rolamento;

. Freios ajustados, ou, às vezes, até mesmo desligados, para diminuirir o atrito;

. Fendas na lataria tapadas com fita adesiva para atenuar a resistência do ar;

. Espelhos retrovisores removidos com o mesmo objetivo.

Tem mais, mas estes são alguns dos truques usados pelas montadoras antes de submeter seus carros aos testes de eficiência no consumo de combustível e emissão de gases poluentes.

CAPACIDADE DE MANIPULAÇÃO

“São vários e vários pequenos ajustes,” explica Greg Archer, especialista em transporte limpo da ONG Transport & Environment, responsável pela publicação de um relatório que faz as denúncias sobre as práticas “questionáveis” da indústria automobilística.

Todos os carros vendidos na União Europeia passam por testes oficiais que medem o consumo de combustível e as emissões de gases nocivos, como o dióxido de carbono (CO²) e os óxidos de nitrogênio (NOx).

Esses dados são usados pelos governos – para fundamentar suas políticas de controle ambiental e para determinar o nível de impostos cobrados de cada carro — e pelos consumidores, interessados em comprar carros mais econômicos e menos poluentes.

Na realidade, porém, segundo a entidade, os dados são cada vez mais enganosos, em grande parte porque as montadoras estão melhorando sua capacidade de manipulação dos testes.

“Consequentemente, há um fosso crescente entre o que os motoristas conseguem de fato com seus carros e o que os testes relatam sobre a economia de combustível e as emissões,” disse Archer.

Poluição ambiental

O OFICIAL E O REAL

De acordo com os números oficiais, as emissões médias de CO2 dos automóveis na União Europeia caíram de cerca de 180g/km, em 2001, para menos de 150g/km, em 2011.

Em comparação, no mundo real, as emissões caíram de mais de 190g/km para 180g/km no mesmo período, de acordo com dados de um estudo realizado na Alemanha pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo, citado pelo relatório da Transport & Environment.

Ou seja, os carros atuais estão no nível que os números oficiais diziam que estavam os carros fabricados em 2001, mesmo com todos os avanços tecnológicos da última década.

“A diferença entre os números do mundo real e os números oficiais está crescendo ano a ano,” disse Archer, apontando como a diferença entre as duas cifras, de 7% em 2001, aumentou para 23% em 2011.

“As montadoras estão enganando seus clientes, promovendo valores de eficiência de combustível que elas sabem que não serão alcançados,” complementa Archer.

TRUQUES LEGAIS

Segundo o relatório, para chegar aos níveis inatingíveis pelos carros reais rodando nas estradas, os fabricantes de automóveis contam com um arsenal de truques para usar durante os testes que incluem:

. Desconectar o alternador, para que o motor não gaste potência para recarregar a bateria durante o teste;

. Usar lubrificantes especiais que não são usados em veículos de série, a fim de reduzir o atrito;

. Desligar todos os aparelhos elétricos, incluindo ar condicionado e rádio;

Segundo o relatório, contudo, não há ainda uma evidência, uma prova contundente de que as montadoras estejam quebrando regras formais.

“Mas elas não precisam. Os procedimentos dos testes atuais são tão frouxos que há amplas oportunidades para mascarar os resultados do teste,” diz a publicação.

De fato, sob o sistema New European Driving Cycle, os fabricantes são livres para declarar resultados dos testes de CO² 4% abaixo dos resultados medidos.

“Nós vamos ter de fechar essas brechas”, diz Archer.

Com Inovação Tecnológica

Deixe um comentário simpático neste artigo: