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Como surgiu a tradição de se comemorar o Dia dos Namorados

Enviado por em 15 de junho de 2011 – 00:30Comente

Mosaico em igreja ortodoxa - São Valentim

SÃO VALENTIM, JESUS CRISTO E SÃO ZENO

O último domingo coincidiu com o Dia dos Namorados. A data é celebrada sob a proteção de um santo nos EUA e na Europa, mas no Brasil, não. É curioso que o dito maior país católico do mundo tenha essa singularidade, pois para tudo há um santo nessa Terra de Vera Cruz. O santo em questão é uma lenda cristã e é admirável o seu caráter didático.

A Cachaça da Happy Hour

SÃO VALENTIM, MISTERIOSO… MAS GAMADÃO

No dia dos namorados recordamos mais uma lenda de um santo cujo nome a Enciclopédia Católica retirou do cânone em 1969. No mesmo ano excluiu São Jorge e São Cristóvão pelo mesmo motivo: suas existências não foram comprovadas.

O misterioso São Valentim, que dá nome ao dia dos namorados nos Estados Unidos e na Europa, provavelmente é a junção, pelo povo, de diversas personalidades com esse nome, que viveram em séculos diferentes.

O São Valentim mais conhecido foi aceito pela Igreja no século V, cumprindo determinação do papa Gelásio I. O decreto dizia, entre coisas, que há santos “cujos nomes são venerados pelos homens, mas cujos atos só Deus conhece”.

O próprio sumo pontífice admitia, então, que era de difícil comprovação a sua existência e o que fizera para ser elevado à honra dos altares.

Ele teria sido um sacerdote ou um bispo que se apaixonou pela filha de seu carcereiro. Nas cartas que escrevia à moça, despedia-se como Teu Valentim.

Foi morto, depois de muito torturado, no século III. Tinha sido condenado à prisão por desobedecer às ordens de Cláudio II, imperador romano que proibira a celebração de casamentos em períodos de guerra.

Nas análises militares, era melhor soldado o homem solteiro. Mas ele continuou a celebrar casamentos e por isso era muito admirado pela juventude.

O EVENTO: DE MÍTICO A COMERCIAL

Na prisão, Valentim recebeu várias cartas de namorados que queriam casar-se. Logo essas cartas e aquelas que ele escreveu à filha do carcereiro, sua namorada, passaram a servir de modelo aos cartões e mensagens – e hoje, e-mails e torpedos – trocados entre os namorados no dia 14 de fevereiro, data que era festejada, antes do Cristianismo, como o dia em que os passarinhos começam a acasalar-se, cinco semanas antes de começar a primavera.

Os antigos romanos tinham um deus chamado Fauno Luperco. Ele protegia os pastores, especialmente contra os lobos: Luperco, de lupus, lobo em latim.

Era muito festejado nas lupercálias, quando os homens batiam nas mulheres com tiras de couro de bode, invocando a fertilidade. Era uma espécie de dia dos namorados também…

Quem trouxe o dia dos namorados para o Brasil foi o publicitário João Dória, em 1950. O lema foi “não é só com beijos que se prova o amor”.

A data foi mudada para 12 de junho, por ser véspera de São Antônio, santo casamenteiro. No resto do mundo, inclusive em Portugal, o dia dos namorados continua a ser celebrado no dia 14 de fevereiro.

E os namorados? Como os passarinhos, os namorados continuam a acasalar-se, nesse e em outros dias e em todas as estações, mas depois disso sob a égide de uma festa que tornou indispensáveis os presentes.

Então, o evento passou de mítico e religioso a apenas comercial.

* Remix de texto de Deonísio da Silva, no Observatório da Imprensa. No mosaico que ilustra o post São Valentim está representado à esquerda de Jesus Cristo, ao centro, com São Zeno à direita.

* * *

Blog da Nívia de Oliveira Castro

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