Como o cérebro e o sistema visual criam as ilusões de ótica

Ilusão de ótica - o papel do sistema visual e do cérebro

O termo “ilusão de ótica” aplica-se a todas as ilusões que “enganam” o sistema visual humano fazendo-nos ver qualquer coisa que não esteja presente no mundo real ou levando-nos a vê-la de um modo errôneo. Algumas têm origem fisiológica, outras são de caráter cognitivo.

As ilusões de ótica podem surgir naturalmente ou serem criadas por astúcias visuais específicas, como demonstram certas hipóteses sobre o funcionamento do sistema visual humano. Imagens que causam ilusão de ótica são largamente utilizadas, por exemplo, nas artes.

A explicação possível das ilusões óticas é debatida extensamente. No entanto, os resultados de investigações mais recentes indicam que as ilusões emergem simplesmente da assinatura do modo estatístico e empírico como todos os dados perceptivos visuais são gerados.

Os circuitos neuronais do nosso sistema visual evoluem, por aprendizagem neuronal, para um sistema que faz interpretações muito eficientes das cenas 3D usuais, com base na emergência – no nosso cérebro – de modelos simplificados que tornam muito rápida e eficiente essa interpretação, mas causam muitas ilusões óticas em situações fora do comum.

A nossa percepção do mundo é em grande parte auto-produzida. Os estímulos visuais não são estáveis: por exemplo, os comprimentos de onda da luz refletida pelas superfícies mudam com as alterações na iluminação. Contudo o cérebro atribui-lhes uma cor constante.

A mão que gesticula produz uma imagem sempre diferente e, no entanto, o cérebro classifica-a consistentemente como uma “mão”. O tamanho da imagem de um objeto na retina varia com a sua distância mas o cérebro consegue perceber qual é o seu “verdadeiro” tamanho.

A tarefa do cérebro, portanto, é extrair as características constantes e invariáveis dos objetos a partir da enorme inundação de informações sempre mutáveis que recebe.

O cérebro pode também deduzir a distância relativa entre dois objetos quando há sobreposição, interposição ou oclusão. E pode deduzir a forma de um objeto a partir das sombras. O que implica uma aprendizagem da perspectiva linear. No entanto, existem vários tipos de ilusões de distância e profundidade que surgem quando esses mecanismos de dedução inconsciente resultam em interprertações equivocadas.

A imagem da retina é a fonte principal de dados que dirige a visão, mas o que nós vemos é uma representação “virtual” em 3D da cena à nossa frente. Não captamos uma imagem física do mundo, vemos objetos. E o mundo físico em si não está separado em objetos. Vemos o mundo de acordo com a maneira como o nosso cérebro o organiza.

O processo de ver, então, é um “completar” o que está diante de nós com aquilo que o nosso cérebro julga estar vendo.

Portanto, o que vemos não é a imagem na nossa retina, mas uma imagem tridimensional criada no cérebro, com base na informação sobre as características que encontramos – também com base nas nossas “opiniões” sobre o que estamos a ver.

O que vemos é sempre, em certa medida, uma ilusão. A nossa imagem mental do mundo só vagamente tem por base a realidade. Porque a visão é um processo em que a informação que vem dos nossos olhos converge com a das nossas memórias. Assim, os nomes, números de telefones, senhas de contas bancárias, as cores, as formas usuais e outras informações sobre as coisas que nós vemos surgem instantaneamente nos nossos circuitos neuronais, compondo e influenciamdo a representação da cena.

As propriedades percebidas dos objetos, tais como o brilho, tamanho angular e cor são “determinadas” inconscientemente e não são propriedades físicas reais. As ilusões surgem quando os “julgamentos” implícitos na análise inconsciente da cena entram em conflito com a análise consciente e raciocinada sobre ela.

A interpretação do que vemos no mundo exterior é uma tarefa muito complexa. Já se descobriram mais de 30 áreas diferentes no cérebro usadas para o processamento da visão. Umas parecem corresponder ao movimento, outras à cor, assim como à profundidade (distância) e mesmo à direção de um contorno.

E assim o nosso sistema visual e o nosso cérebro tornam as coisas mais simples do que aquilo que elas são na realidade. É essa simplificação que nos permite uma apreensão mais rápida (ainda que imperfeita) da “realidade exterior”, que dá origem às ilusões de ótica.

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3 comentários em “Como o cérebro e o sistema visual criam as ilusões de ótica

  • 25 de agosto de 2010 em 14:49
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    Uai, sô! Isso não é um gif animado???????

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  • 1 de agosto de 2010 em 15:36
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    Cruzes! Fiquei tontinha de ficar olhando para essa imagem.

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    • 1 de agosto de 2010 em 16:21
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      Pra mim lembra as caixas da aparelhagem de som do carro do meu vizinho tocando um pancadão. hehehe.

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