Cidade na Espanha suporta crise econômica na base da maconha

Maconha contra crise econômica

RASQUERA CANNABIS POWER

Do blog BananaPost

A crise econômica europeia elevou para 20% da população em idade de trabalhar o número de desempregados na Espanha. Como suportar situação tão difícil? Uma cidadezinha da região de Barcelona, na Catalunha, descobriu um jeito: não necessariamente fumando, mas produzindo maconha.

Verdade! A câmara de vereadores da pequena cidade de Rasquera acaba de aprovar uma medida polêmica para atenuar a crise e saldar a dívida do município, estimada em 1.336 milhão de euros (ou quase 3 milhões de reais): o aluguel de terrenos para o cultivo da espécia vegetal Cannabis sativa.

E tem mais vantagens nessa parada: a administração da cidade agrícola, de aproximadamente 900 habitantes, acha que essa iniciativa poderá gerar 50 postos de trabalho diretos ou indiretos, e evitar o êxodo da parcela mais jovem da população para outras regiões.

A iniciativa da lei foi da ABCDA (Associação Barcelonesa Canábica de Autoconsumo), um clube com fins lúdico-terapêuticos formado por 5.000 sócios, que negociou com a prefeitura local durante oito meses. O grupo se propôs a pagar 36 mil euros (82 mil reais) pela assinatura de um convênio com o município, bem como outros 550 mil euros (1,2 milhão de reais) anuais pelo arrendamento do terreno.

Para a associação, a plantação poderá atrair um grande número de interessados a Rasquera. Nada garante, no entanto, que outra empresa não possa concorrer com a ABCDA para utilizar o terreno para os mesmos fins.

A ABCDA ficaria encarregada apenas do cultivo. O consumo, no entanto, só será permitido aos seus sócios, que teriam de ir à cidade. Na Espanha, o consumo de maconha é descriminalizado, mas a comercialização (ou o tráfico) é ilegal.

Para Bernat Pellisa, prefeito de Rasquera, a iniciativa serve como “um grande medidor da hipocrisia da sociedade”.

“Ao se legalizar o consumo racional da maconha, o narcotráfico deixa de lucrar. Os benefícios terapêuticos da substância poderão ser investigados, o que poderá ser revertido em benefícios até mesmo na segurança social”, afirma.

Pellisa afirmou que, na próxima semana, será realizada uma assembleia composta por cientistas, médicos e advogados para explicar a medida à população.

“O poder público não começará a plantar maconha, apenas vai regularizar algo que já existe”. Ele afirmou que, após uma série de estudos, uma empresa pública irá determinar a quantidade de maconha que poderá ser consumida por pessoa.

O prefeito disse que o projeto recebeu o apoio de um grupo de aproximadamente cinquenta vítimas de câncer e fibromialgia, que querem utilizar a substância para fins medicinais.

O líder do executivo municipal também garante que o dinheiro que entrará nos cofres públicos servirá, principalmente, para reativar o serviço de reciclagem de lixo, que foi paralisado por falta de verbas.

Já a oposição quer um referendo popular para decidir a questão por considerar que esta é uma iniciativa “no limite das atividades ilícitas”. O departamento de Interior da Catalunha pretende levar a questão à Justiça.

Com Opera Mundi

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