Cerveja brasileira de erva-mate faz sucesso na Alemanha

Cerveja Pirata Mier

MIER BIER – UMA CERVEJA PIRATA

A Cachaça da Happy Hour

Aqui no Brasil, Fabrício Martins do Canto, devido às limitações da legislação e ao poder dissuasório das cervejeiras que dominam o mercado, dificilmente teria chances de lançar na praça a sua criação.

Mas acontece que ele mora na Alemanha e, assim, pôde fabricar uma cerveja a partir de erva-mate, que é livremente degustada num bar onde também são encontrados produtos como refrigerante de mate, chá gelado de mate e um refresco que tem como ingrediente a erva de origem nacional.

Membro do novo Partido Pirata alemão, Fabrício revelou que justamente num debate político da legenda, entre goles de chimarrão e cerveja, teve a ideia de misturar as bebidas.

Assim nasceu a Mier, uma cerveja fabricada a partir de erva-mate que ganhou espaço nos meios de comunicação alemães desde que começou a ser produzida numa fábrica em Berlim.

Teoricamente, a bebida não pode ser classificada como cerveja devido à restritiva lei de pureza alemã, mas é feita com parte de seus ingredientes, como malte, lúpulo, água e fermento. Além disso, a bebida cheira e se parece com cerveja, embora tenha um sabor um pouco mais forte e amargo.

Na preparação do produto, é incorporado uma infusão de folhas de erva-mate cultivada por famílias com ascendência alemã no sul do Brasil.

“Mier” é comercializada no bar Meta Mate, um pequeno estabelecimento onde também é possível comprar erva industrial argentina e seleções de erva-mate de plantações brasileras elaboradas por Fabrício.

Além disso, são vendidas no lugar cuias de cerâmica, já que a típica cuia da região Sul, fabricada a partir do fruto do porongo, não pode ser comercializada na Alemanha, já que com o tempo ela causa o aparecimento de fungos.

Fabrício viaja periodicamente ao Brasil para supervisionar o processo artesanal de fabricação da erva-mate.

Ele se mostra orgulhoso do processo: “recolhemos as folhas de árvores de cinquenta e até oitenta anos. As folhas das monoculturas são pequenas, as nossas são muito maiores e isso dá um gosto especial à bebida”.

A transparência é um dos valores da “Mier” e do bar Meta Mate, já que “toda sua contabilidade está na internet, todos podem ver. O conhecimento tem que ser compartilhado, essa é ideia de bens comuns criativos, como softwares mas também produtos de consumo”, explica Fabrício, que está desenvolvendo refrescos à base de mate.

“Em Berlim existe uma moda, um interesse em tomar erva-mate. É uma questão política tomar chimarrão, pois quando se bebe o outro te escuta”, afirma o brasileiro, que participou da elaboração da campanha do Partido Pirata nas últimas eleições.

O interesse alemão pela erva-mate não é novo: em 1924, Georg Latteier não conseguia o lucro que esperava com sua pequena fábrica de cerveja e começou a elaborar uma bebida com base no chá sem álcool que vendia na Baviera.

O tempo passou e o produto foi mudando de mãos até que em 1994 seu nome mudou para Clube Mate, uma bebida com o sabor amargo do mate misturada ao acúçar que passou a ser comercializada em garrafas de meio litro em quase todos os quiosques de várias cidades alemãs.

A empresa também desenvolveu chá frio e um refrigerante de erva-mate que tiveram um grande êxito em Berlim.

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