artesanato

objetos decoração acessórios bijuterias jóias cofres brindes

xadrez

tabuleiros peças criatividade jogos raciocínio inteligência

veículos

customização jeeps clássicos volantes manoplas reformas

inovação

criação design tecnologia matrizes protótipos projetos

webdesign

sites construção otimização conteúdos consultoria blogs

Início » artigos, blog a cachaça da happy hour, consciência

Capital Humano: trabalhador descartável, com prazo de validade

Enviado por em 4 de dezembro de 2011 – 16:23Comente

Blade Runner - O Caçador de Androides

OS REPLICANTES

A Cachaça da Happy Hour

Uma expressão neocon — entre as mais degradantes, disseminadas nas grandes corporações por gente como o performático palestrante e dublê de consultor Max Gehringer — é ‘capital humano’. Veículos decadentes de mídia, como a rádio CBN, adoram referir-se assim às pessoas trabalhadoras. Quem desmonta, com ótima síntese, este atentado contra a individualidade humana é Adjútor Alvim:

BLADE RUNNER E O CAPITAL HUMANO *

Capital Humano é hoje um jargão corporativo para a força de trabalho. O filme Blade Runner (Ridley Scott, 1982) tem uma visão interessante e ainda atual de como nossa sociedade trata este assunto.

No cult movie, uma introdução escrita nos conta que os replicantes, criados biogeneticamente à imagem e semelhança dos seres humanos, rebeleram-se e tiveram sua sentença de morte e extinção decretada.

Produtos comerciais de mega corporações, os replicantes são fisiológica e morfologicamente idênticos aos indivíduos da raça humana. São mais fortes que os homens e, no mínimo, tão inteligentes quanto. Suas especializações e personalidades formadas de acordo com o tipo de atuação que deles se espera.

Roy Baty, personagem de Rutger Hauer, é um modelo militar, enquanto Pris, interpretada por Daryl Hannah, é definida como “um modelo básico de prazer”.

Ou seja, uma empresa privada produz unidades autônomas capazes de substituir os seres humanos no mercado de trabalho. Não são indivíduos que estão sendo criados, mas braços mais eficientes para a produção.

Uma opção mais vantajosa que a simples robotização, visto serem os replicantes também são consumidores e realimentam o ciclo capitalista.

Adicionalmente, as grandes corporações podem planejar e escolher as características de cada replicante determinando o perfil comportamental de seus trabalhadores/consumidores.

Um bálsamo para o grande capital, um atentado contra a individualidade humana.

A sociedade é dominada pelo grande capital que vê os seres humanos como unidades produtoras e passíveis de substituição pela tecnologia. Preferencialmente com perfis pessoais modelados de acordo com seus interesses.

O único organismo estatal presente é a polícia, chamada para garantir o cumprimento da pena de extinção dos replicantes. Isso faz pensar que o filme veja a repressão e a manutenção da disciplina da força de trabalho como uma das funções mais importantes do estado.

Sem os replicantes, as corporações voltam a precisar dos seres humanos para explorar as colônias extra-terrestres e anúncios propagam as grandes oportunidade de crescimento que essas novas fronteiras oferecem.

Entretanto, elas não estão disponíveis para todos. Um dos personagens não é selecionado para o trabalho por possuir a “Síndrome de Matusalém”, uma forma de envelhecimento precoce.

Esse é o capital humano de nossas corporações, segundo Ridley Scott. Jovens, fortes, disciplinados e, fundamentalmente, descartáveis.

Profissionais Descartáveis

* Em Casa de Tolerância

* * *

Blog da Nívia de Oliveira Castro

Comente!

Adicione um comentário abaixo, ou trackback para o seu site. Você pode também inscrever-se para esse comentário via RSS.

Seja elegante. Mantenha-se dentro do assunto, não escreva tudo em maiúsculas e, claro, sem Spam.

(necessário)