Caatinga sequestra mais carbono que as florestas tropicais

IMPORTÂNCIA DA VEGETAÇÃO NORDESTINA

Riqueza da Caatinga

Por ignorância, ao longo de séculos construiu-se um enorme preconceito em relação à Caatinga nordestina, sustentado na ideia de que ela representa um ambiente hostil e inóspito — habitat de mandacarus, calangos e cangaceiros.

As pessoas sempre acreditaram que ela não servia para nada, chegando ao ponto de sugerir maluquices, como a sua total eliminação para substituí-la por árvores frutíferas, por exemplo. Só que, cientificamente, isso não tem qualquer fundamentação.

A novidade, agora, é que a vegetação da Caatinga pode ser proporcionalmente mais eficiente que florestas úmidas para absorver o gás carbônico presente na atmosfera, em um processo natural, conhecido como sequestro de carbono.

É exatamente isto o que pretendem provar os pesquisadores do Instituto Nacional do Semiárido, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Para tanto, iniciaram um estudo por meio do qual foram instaladas duas estações micrometeorológicas em Campina Grande, na Paraíba, para monitorar o dióxido de carbono absorvido pelas plantas da região.

O Insa pretende, com os resultados, conscientizar governos e, principalmente, a população que vive no Semiárido, sobre a importância de se preservar a vegetação nativa como forma de mitigar os impactos das alterações no clima da região.

Se o produtor rural recuperar essas áreas com espécies nativas estará contribuindo não apenas para a preservação do patrimônio do Semiárido, mas também para o combate às alterações climáticas, por meio da absorção eficiente do carbono na atmosfera.

Abelha nordestina

Estudos revelam que as florestas tropicais têm alta capacidade de sequestrar carbono, mas elas também apresentam altos níveis de emissão, que ocorre, por exemplo, com a queda de folhas.

Já a Caatinga não sequestra tanto, mas emite quase nada e é esse grau de eficiência, que pode ser maior nesse tipo específico de vegetação, que deve ser investigado.

Os três primeiros meses de observação — de um estudo de longo prazo, com conclusão prevista para 2015 — já trazem alguns resultados considerados “auspiciosos”.

Observações preliminares permitiram constatar que mesmo no período seco, quando a planta fica totalmente sem folha e com estresse hídrico, ainda há sequestro de carbono, ou seja, ela ainda cumpre seu papel ambiental.

Com a chegada da estação chuvosa, nos meses de maio e junho, os pesquisadores acreditam que a atividade fotossintética será acentuada, com sequestro de carbono ainda mais intenso.

A Caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro e um dos mais alterados pelas atividades humanas. Trata-se de um tipo de vegetação que tem fauna e flora com grande diversidade de espécies e cobre a maior parte da área com clima Semiárido, principalmente da Região Nordeste.

Ela é apontada pelos pesquisadores como um dos biomas mais vulneráveis às mudanças climáticas e pela exploração pelo homem de forma desordenada e insustentável.

Com Agência Brasil

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