Bancos privados acuados por juros baixos da Caixa e BB

Juros bancos estatais e particulares

A BRONCA E A BANCA DOS ‘BAD BANKERS’

O Chefe de Redação

O governo acaba de anunciar uma espetacular redução nos juros dos bancos públicos. A ideia é estimular a economia, que enfrenta a subida de uma ladeira para retomar o crescimento num ritmo melhor que o do atual cenário de crise internacional.

Espera-se que, nesta segunda, a Caixa Econômica Federal reabra oferecendo pacotes inéditos para clientes vindos de outros bancos e taxas de cheque especial que começam em 1,35% ao mês — há duas semanas, a média era 8,01%.

O Banco do Brasil também entrará nesta batalha, mas por enquanto apenas pela retaguarda. É que embora o BB seja o maior banco brasileiro, a infantaria da Caixa tem mais capacidade de operar no front abordando clientes de outras instituições particulares.

De qualquer forma, já se sabe que o jogo vai ser pesado: a Caixa distribuirá aos correntistas de bancos privados formulários para “migração” da conta-salário.

E mais: oferecerá linha de financiamento chamada “Crédito Azul”, pela qual o cliente poderá quitar a “dívida cara” na concorrência e se refinanciar com juros menores no banco estatal.

Trata-se de uma medida coerente com o pacote de R$ 60 bilhões de estímulo à industria — e essencial num país que possui as mais altas taxas de juros do mundo.

Segundo Paulo Moreira Leite, chega a ser escandalosa a injusta gritaria dos bancos privados [através da velha mídia associada, seus comentaristas e analistas econômicos de plantão].

Afinal, entre 2004 e 2010, sua margem líquida deu um salto. Passou de 20,5% para 32,7% — um crescimento superior a 50% em seis anos! Nenhuma outra atividade econômica legal alcançou ganhos tão grandes.

Mas, convidados a se ajustar a um mercado que se tornou mais competitivo, os bancos privados reclamam. Abandonam o velho discurso a favor da livre concorrência, da competição, do mercado, e exigem a ajuda do governo.

É mole? Pedem redução de impostos. Querem mais garantias contra clientes inadimplentes.

Bobagem. O que eles pretendem é manter uma lucratividade que só se explica pelo juro altíssimo — como os próprios banqueiros admitem em conversas reservadas — e também pelo monopólio do mercado.

Enfim, ameaçados de perder numa ponta, querem compensar na outra.

Não compreendem que a sociedade mantém os bancos para que possam ajudá-la a crescer, desenvolver-se, criar empregos. Não é para administrar a riqueza de todos em proveito de poucos.

O Brasil não só é um país com intensa concentração bancária como permite que os bancos também vendam seguros — outra fonte fabulosa de lucros.

Os bancos públicos possuem hoje 43% do mercado de crédito. Já tiveram mais, porém isso foi antes da privataria neoliberal dos bancos estaduais.

A queda nos juros é uma ótima ideia para o país, que precisa de juros menores para manter o crescimento. Essa é a discussão que interessa aos cidadãos.

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