Amores e mentiras de verão, por Luis Fernando Veríssimo

Astro de Hollywood Bruce Willis

BRUCE E STEFANI

A Cachaça da Happy Hour

Quando ele perguntou para ela qual era seu nome, ela respondeu:

— Stefani.

Ele por pouco não desistiu. Puxa, Stefani. Não sabia se tinha condições para ficar com uma Stefani. Aquele corpo, aqueles cabelos loiros escorridos, aquela boca – e Stefani!

Ele se chamava Felipe. Um simples Felipe. Suas pretensões eram de Felipe, seus limites eram os de um Felipe.

Tinha medo de que depois do primeiro beijo ela sorrisse um sorriso de Stefani e seus olhos dissessem “Vá se catar, garoto”, e ela saísse à procura de alguém que a merecesse, que certamente não seria um mero Felipe.

O mundo das Stefanis não é para qualquer um. Há eunucos armados guardando o portão do mundo das Stefanis para proibir a entrada de felipes e similares.

— E o seu?

— O quê?

— Como é o seu nome?

— Ah, é… Bruce.

— Bruce?

Bruce. Um Bruce poderia beijar uma Stefani sem medo. Sem risco de um “vá se catar”. Um Bruce transitaria pelo mundo das Stefanis com naturalidade, como um frequentador assíduo. Um Bruce…

— Na verdade — disse ela — meu nome é Maria Helena.

— Você mentiu!

— É. Desculpe.

Beijaram-se. Ficaram. Namoraram até o fim das férias.

O único problema para o Felipe foi manter o Bruce. Adotar um comportamento de Bruce. Ser um Bruce, sem que a Maria Helena desconfiasse que ele também mentira…

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Fragmento de crônica O Príncipe das Águas, de Luis Fernando Veríssimo

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