Alianças feitas com fragmentos de meteoritos e ossos de dinossauros

INSTINTO DE (IN)FELICIDADE NO CASAMENTO

Anéis de meteoritos e dinossauros

Asteroides e dinossauros não estão entre as combinações mais harmoniosas conhecidas, já que um teria sido a causa da trágica extinção em massa dos outros, há cerca de 65,5 milhões de anos.

Quem parece não se importar com estas superstições é o joalheiro Johan Rust, que lançou uma enorme coleção de alianças de casamento feitas com fragmentos de meteoritos e de fósseis jurássicos.

Bem, pelo menos é o que o norte-americano assegura. Para enfeitar as peças de ouro, prata, paládio e titânio, ele teria usado lascas do meteorito Gibeon, de 26 toneladas, encontrado na Namíbia em 1836.

Enfim, toda essa morbidez não passa de um curioso pretexto para ilustrar o que realmente nos interessa aqui, que é fazer uma recomendação: se você quiser ser feliz no casamento, siga o seu instinto.

Sim, é que os recém-casados, de forma mais ou menos subconsciente, sabem logo de início se o seu casamento irá funcionar bem ou estará fadado ao fracasso, com os problemas que costumam gerar.

Alianças de meteoritos e dinossauros

Uma equipe de psicólogos avaliou experimentalmente as atitudes subconscientes, em relação ao seu cônjuge, tanto dos homens quanto mulheres em uma série de casais recentemente formados.

E concluiu que, embora as pessoas não queiram – ou não possam – dizer de forma explícita o que sentem, bem lá no fundo elas sabem instintivamente se vão ou não ser felizes na relação.

Em resultados publicados pela revista Science, James McNulty, da Universidade Estadual da Flórida, e colegas estudaram 135 casais heterossexuais casados há menos de seis meses.

Mais precisamente, realizaram primeiro uma experiência e, a seguir, acompanharam estas duplas ao longo de quatro anos subsequentes.

Durante a experiência inicial, foi pedido aos participantes para qualificarem verbalmente a relação com o seu cônjuge e a gravidade dos seus problemas conjugais.

Foi bem curiosa: a avaliação explícita era feita com base em 15 pares de adjetivos de significados opostos tais como “boa/má” ou “satisfeito/insatisfeito”.

Anéis de meteoritos e dinossauros

Ao mesmo tempo, para obterem respostas implícitas, os cientistas mostraram a cada participante, durante uma fração de segundo, uma foto do seu cônjuge seguida de uma palavra positiva tal como “fantástico” ou “sensacional”; ou de uma palavra negativa tal como “horrível” ou “terrível”.

Os participantes tinham que apertar um botão para indicar, o mais depressa possível, se a palavra exibida na tela do computador era positiva ou negativa. Foi precisamente a rapidez dessas respostas que permitiu medir a atitude implícita, subconsciente, de cada um.

“As pessoas que têm sentimentos realmente positivos em relação ao seu parceiro respondem muito rapidamente quando se trata de indicar as palavras que exprimem sentimentos positivos e muito lentas ao indicar as que exprimem sentimentos negativos”, diz McNulty.

Pelo contrário, as pessoas com sentimentos negativos em relação ao seu cônjuge reagem mais depressa às palavras negativas do que às positivas.

Anéis de meteoritos e dinossauros

“Todos queremos que o nosso casamento funcione”, salienta ainda. “E, no início, muitas pessoas conseguem convencer-se, ao nível consciente, de que está tudo bem. Mas as reações automáticas, instintivas, são menos influenciadas por aquilo que as pessoas querem pensar. Não é possível obrigarmo-nos a ter uma reação positiva apenas por força de vontade”.

Mais tarde, os cientistas entraram em contato com os casais, de seis em seis meses, para saber se a sua relação conjugal era ou não satisfatória.

E constataram que, ao fim de quatro anos, os que tinham tido atitudes implícitas negativas ou pouco entusiastas durante a experiência inicial eram os que reportavam os maiores níveis de insatisfação no casamento.

“As avaliações automáticas que as pessoas fazem dos seus parceiros permitem prever o mais importante aspecto das suas vidas: a evolução da sua satisfação matrimonial”, frisa McNulty.

Por isso, aconselha a todos a se “ligarem” um pouco mais nos seus palpites.

E conclui: “se alguém sentir que o seu instinto lhe diz que há um problema, então talvez seja benéfico aprofundar a reflexão nesse sentido, inclusive com a ajuda de um conselheiro matrimonial”.

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