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Ai, se eu te pego: crack, funk, Luan e Michel Teló

Enviado por em 4 de janeiro de 2012 – 23:26Um comentário

Ai se eu te pego

DROGA OU ALERGIA?

A Cachaça da Happy Hour

Percebo na minha investigação patológica que muitos consumidores de crack, funk carioca, Luan Santana e Michel Teló não procuram clínicas de desintoxicação por absoluta ausência delas. O problema é que o governo não faz nada.

AI, SE EU PEGO UMA MÚSICA BOA PRA OUVIR 

por Marco Antonio Araujo *

Meu gosto musical é uma larga rodovia onde transitam de Mozart a Zeca Pagodinho, com algumas ultrapassagens do brega mais autêntico. Mas sempre causa engavetamento nos meus ouvidos a axé music, o funk escatológico e essa manifestação pandêmica internacional chamada sertanejo universitário.

Não é preconceito. Deve ser apenas uma singela alergia sonora a ritmos que remetem a primitivas danças de acasalamento e coreografias minimalistas de fornicação. Provavelmente, tenho algum pudor pessoal em praticar sexo selvagem em público.

A essa dificuldade em dançar na boquinha da garrafa e ouvir letras com duplo sentido vulgar, agora se soma o enjôo que me causam rimas paupérrimas que tratam o amor como um sentimento disléxico reservado a pessoas com analfabetismo funcional.

É necessário alto ímpeto de humildade intelectual para aceitar que há gosto para tudo. Porque, de fato, cada um tem o direito de entupir ou aniquilar seu cérebro com a substância venenosa que lhe aprouver.

Em um esforço antropológico, andei conversando com jovens supostamente sóbrios e que mesmo assim consomem essas drogas musicais. Não estou aqui para julgar ninguém. Sou fumante e solidário a qualquer vítima de dependência química.

O que percebi nessa investigação patológica é que muitos desses consumidores de crack, funk carioca, Luan Santana e Michel Teló não procuram clínicas de desintoxicação por absoluta ausência delas. E o governo não faz nada.

A única opção seria ouvir música de velho. Não surge um compositor que preste há pelo menos 50 anos. A MPB (e o rock, bebê) morreu, tosse ou anda em cadeira de rodas. Rigorosamente, essa pobreza toda é o que temos para hoje.

Deixa a turma se pegar, então. Assim eles se matam, é um risco. Mas se até a Europa está em crise, não há muito o que fazer. Lá, o Teló toca mais que Adele e Coldplay. Ai, ai.

* O Provocador

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