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A cultura da criatividade, empreendedorismo e inovação

Enviado por em 17 de julho de 2010 – 15:19Comente

Inovação e criação destruidora

Do blog ECOnsciência

“A Humanidade caminha velozmente rumo a uma nova era, já conhecida como a Sociedade da Inovação. Somos precisamente nós, usuários e consumidores das inovações, os verdadeiros protagonistas desse processo. Criatividade, inovação e renovação permanentes despontam como os grandes desafios da nova cultura que emerge”.

DA CRIATIVIDADE À INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

Por Marcos Formiga *

A sociedade contemporânea, forjada pelas eras da aprendizagem, do conhecimento e da informação, encontra-se no limiar de uma nova etapa, que poderá ser denominada de Era da Inovação. Instala-se agora uma nova sociedade com três características bastante distintas, a saber:

Criatividade

A criatividade é o desenvolvimento da capacidade criadora, do engenhosidade e da inventividade. A cultura brasileira, por exemplo, é pródiga nesses atributos e habilidades.

A criatividade nacional se expressa fortemente nas diferentes modalidades artísticas. Desde a riquíssima expressão espontânea dos nossos habitantes autóctones – a arte e o artesanato indígenas: pinturas corporais, plumagem decorativa, desenhos diversificados, instrumentos de tecnologia elementar, com formato e pigmentação vegetal inéditas; visíveis nos arcos, flechas e habitação engenhosa e ecológica (com perfeito uso de iluminação e ventilação).

Fenômeno semelhante se repete na música, produto da confluência étnica, que reúne ritmo e som indígenas, batuques e atabaques de influência africana resultando na musicalidade genuinamente brasileira do chorinho, do samba, do frevo e do maracatu.

O carnaval e o futebol, expressões de origens externas, aqui foram totalmente adaptados e adquiriram feição e jeito profundamente brasileiros. A exuberância visual das escolas de samba e um toque de bola no esporte de preferência nacional, que embora de origem inglesa, foi abrasileirado e em consequência mudou a sua própria essência anglo-saxônica.

Tal como ocorre nos campos artístico e esportivo, a criatividade também se manifesta na ciência e na tecnologia. O cientista-inventor trabalha diretamente com a criatividade. É dela que saem os grandes insights do pensamento científico, registrados nos artigos publicados em veículos de prestígio internacional. Dos laboratórios, das oficinas, de suas bancadas surgem as invenções que fazem avançar a ciência e remover as fronteiras para novas conquistas do conhecimento.

Além da arte, dos esportes e da ciência, a criatividade é insumo indispensável ao setor produtivo quando se trata de empreender novas idéias, novos produtos e novos processos. Esta conjunção de esforços aparece fortemente nas iniciativas empreendedoras.

Empreendedorismo

O Brasil é justamente reconhecido como um dos países com o mais elevado espírito empreendedor, a despeito da existência de um marco legal caótico e inibidor que prejudica diretamente a ação empreendedora do brasileiro. As microempresas são as maiores vítimas deste processo perverso.

Ademais, a conjuntura econômica neocon das duas últimas décadas direcionou o empreendedorismo nacional muito mais para atividades que priorizaram a sobrevivência financeira das pessoas. O ideal é que tivesse sido estimulado um tipo de empreendedorismo de oportunidade ou de vocação, mais receptivo à ousadia e à criatividade.

A inovação, na concepção de Joseph Schumpeter, é um processo de “destruição criadora”. Ele parte da diferenciação entre crescimento e desenvolvimento. Compreendido assim, o desenvolvimento representaria a realização de “novas combinações” dos meios de produção. Essas “novas combinações” ocorrentes de forma descontínua constituem o fenômeno mais característico do desenvolvimento, designado também como inovação, que pode surgir sob as seguintes formas:

. Introdução de um novo produto ou serviço;

. Novo processo de produção, por uma técnica ou modalidade de comercialização;

. Abertura de um novo mercado, para um país ou para um setor específico;

. Conquista de uma nova fonte de suprimento de matéria-primas ou de produtos e serviços;

. Reorganização de qualquer processo produtivo.

O realizador das “novas combinações” de fatores produtivos é o que habituou a chamar de empreendedor. E este, para Schumpeter, é o inovador por excelência.

E quais são as características do inovador?

. Aquele que toma a decisão de investir;

. Que assume altos riscos e incertezas;

. Que é líder por vocação, capaz de conduzir os meios de produção a novos caminhos em busca do êxito e pela satisfação e liberdade para criar;

. Que exerce papel decisivo na formação do capital – além da poupança e do investimento – ao tornar mais baixos os custos de produção mediante as inovações, criando para si o lucro do empreendedor.

Cultura da Inovação

Neste caso vale considerar a síntese de uma visão sobre o Informe da Sociedade do Conhecimento elaborado pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura:

A autêntica cultura de inovação vai muito além da inovação técnica na economia global do conhecimento, e parece ter adquirido a categoria de um novo valor, tal como se verifica sua difusão em múltiplos âmbitos – educativo, político, midiático e cultural.

Os conhecimentos, as técnicas e as instituições correm cada vez mais os riscos de serem consideradas como superadas.

Atualmente, a própria cultura se constitui a partir de um modelo de criatividade e de inovação, em vez de um modelo de permanência e de reprodução.

A generalização da aprendizagem em todos os níveis da sociedade tende a ser a contrapartida lógica da instabilidade permanente criada pela cultura da inovação. A Sociedade de Aprendizagem enfrenta, nesse início do Século XXI, o desafio de harmonizar a cultura da inovação com uma visão de longo prazo.

Algumas tendências e alertas feitas pela Unesco:

. Inovação e valorização do conhecimento

O que diferencia a inovação da invenção (confinada ao âmbito da pesquisa como produção de novo conhecimento) é a valorização do conhecimento traduzido na produção de novos bens e serviços. O empreendedor/empresário é o mediador que transforma as invenções em inovações produtivas. A inovação só existe quando encontra um empresário que a valoriza, em resposta a uma demanda da sociedade.

A inovação exige tempo para se desenvolver plenamente. O exemplo da informática é ilustrativo pois teve de saltar o receio, a conhecida tecnofobia dos adultos, enquanto as crianças e os jovens souberam utilizá-la de forma espontânea e com celeridade.

. O caráter cooperativo e multidimensional do processo inovador

Nas décadas de 1960/1970, as invenções marcantes foram resultantes de projetos tecnológicos como a conquista do espaço, trens da alta velocidade, programas nucleares e etc. Naquela época, o Estado teve uma função importante de financiador e de principal usuário.

A dinâmica de inovação recente, de 1990 para cá – como os progressos na informática e na universalização da Internet, além da maior participação do setor empresarial -, registra uma maior e nova interação entre os projetos técnicos e sua aceitação e usos pelo grande público. É precisamente, o grande público, como usuário e consumidor das inovações, o verdadeiro protagonista desse processo.

. Cultura da inovação e a demanda de conhecimento

Na economia mundial do conhecimento, onde a capacidade de inovação é a pedra fundamental da competitividade, exige-se rapidez na difusão da inovação em uma determinada sociedade. No entanto, a inovação não se obtém por decreto.

Não se pode descuidar, também, do custo humano das mutações, relembrando o que dizia Schumpeter de que a inovação é um processo de “destruição criadora”. Daí, os mecanismos destruidores inerentes à inovação devem ter suas conseqüências atenuadas nos planos social e cultural.

A convivência com um processo contínuo e permanente de inovação exigirá constante atualização profissional e poderá chegar à exigência de prazo de validade dos títulos acadêmicos para corrigir a inércia das competências – e também como resposta à demanda por novas competências.

É, portanto, a consagração e a valorização, cada vez maior, da educação continuada ao longo da vida.

. Inovação e renovação permanentes: o desafio da nova cultura

O mundo atual valoriza tudo o que muda e que é novidade. Assim como no Século XIX, se passou de uma economia de demanda baseada na necessidade para uma economia de oferta baseada nas leis do mercado; hoje, o que é novo, surpreende e rapidamente se transforma em mercadoria real que produz valor agregado.

A valorização social da inovação em si mesma pode provocar instabilidade e uma sensação de frivolidade vã em nossa sociedade alimentada pelo espetacular. Sem dúvida, a cultura da inovação veio para ficar, não é uma simples moda. A própria criatividade artística facilita a compreensão deste fenômeno. Vide o efeito combinado das redes, a mundialização e o desenvolvimento de novas tecnologias, que vivem alterações sem precedentes.

Outra evidência é o uso generalizado do prefixo pós no discurso contemporâneo. Por exemplo, arte pós-modernista, época pós-industrial, pós-graduação e etc.

A criatividade está anexando novos âmbitos a esse fenômeno que se pode chamar de “antropo-ética”, já que registra a tendência do homem de querer criar-se a si mesmo com todos os riscos que isto representa. Estudiosos e pesquisadores já advertem para o que poderá vir a se chamar “pós-humanidade”.

E assim conclui o informe da Unesco: “a inovação e a invenção saíram do âmbito do culto midiático pela velocidade do insólito para converter-se na condição de domínio do futuro da nossa sociedade e da nossa espécie”.

Enfim, tudo indica mesmo que, depois das Sociedades da Aprendizagem, da Informação e do Conhecimento, a Humanidade caminha rumo à Sociedade da Inovação.

* Marcos Formiga é professor do Laboratório de Estudos do Futuro da Universidade de Brasília e membro honorário do Instituto de Educação da Universidade de Londres.

 

 

 

 

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